fotografia enquanto documento

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

fim da linha... ou não




Parafraseando o sábio professor André Ancona Lopez, "Fusões são inevitáveis no mundo globalizado". Sabemos que a turma da disciplina possui dois blogs abordando o mesmo tema - fotografia - e, somando o pequeno número de componentes nestes, resolvemos unir esforços e administrar uma só página.

A plataforma escolhida para dar continuidade aos trabalhos, foi, no caso a do grupo Imagem & Ação, hospedado no endereço http://imagemacaodiplomatica.blogspot.com. Nos vemos por lá! :)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

fotografia é documento?


Inserida no contexto arquivístico e visando a importância desta para com o seu produtor/acumulador, sim. Mas lembre-se: qualquer documento de arquivo (textual ou imagético) isolado de seu contexto de produção tem sua relevância parcialmente ou totalmente anulada.

A fotografia deixou de ser um mero meio ilustrativo de pesquisa e se tornou matéria prima na produção de conhecimento, mas não possui métodos de trabalho consolidados: imagens são arquivadas ora de acordo com o seu contexto, ora de acordo com os outros meios possíveis (ordem cronológica, agrupados por autor, etc).

Segundo os autores FILLIPI, LIMA e CARVALHO (2002):

"(...) os atributos técnicos e formais da imagem fotográfica assumem um papel relevante no entendimento de questões ligadas à noção de natureza, cidade, progresso, modernidade, morte, infância, indivíduo, identidade, apenas para citar aqueles temas mais recorrentes. Não é por acaso que o incremento na organização de documentos fotográficos institucionais aconteceu concomitantemente à publicação de repertórios e ao crescimento do uso da fotografia como fonte para a pesquisa. Nessa perspectiva, torna-se fundamental, hoje mais do que nunca, a definição de padrões de qualidade na organização e conservação de fotografias em acervos institucionais e na produção de instrumentos de pesquisa."

Ao contrário dos documentos textuais, o trato da fotoimagem como documento de arquivo não está inserido no senso comum, bem como formalidades acerca de sua utilização documental. A comparação do documento imagético com o textual não é viável, visto que são dois meios distintos de difusão da informação, mas que não se sobrepõem. Ao contrário: se complementam.

Em arquivos de documentação administrativa (que servem de referência para os demais), trata-se a fotografia quase sempre como um "anexo", ou um "documento complementar" de ao menos um documento textual.

A metodologia utilizada para lidar com informações imagéticas é uma das grandes causadoras de divergência entre os profissionais e estudantes de arquivo. São inúmeros os debates relacionados à sua classificação, indexação, conservação, preservação, disponibilização para o usuário e, ainda que em um grau menor, sua análise diplomática.

Ao inserir um documento fotográfico em um acervo orgânico, deve-se levar em conta, basicamente, sua classificação, contexto e questões como sua perduração quando atingir o valor secundário. Considerar as particularidades físicas é fundamental no arranjo de documentação fotográfica.

Tratando-se de documentação digital, o pouco interesse acadêmico é ainda mais notório. Essa tecnologia recente gerou um boom na criação de material fotográfico. Refletir sobre questões relacionadas a características intrínsecas de um documento fotográfico, mesmo que digital, pode não parecer viável, visto que suportes eletrônicos permitem a geração de cópias idênticas com facilidade bem como sua difusão quase instantânea. Características diferentes requerem metodologias diferentes.

A fim de possibilitar uma lógica na organização de fotografias em uma instituição, deve-se tratar tanto a fotografia analógica quanto a digital com um zelo ainda maior que uma documentação textual administrativa demandaria: há clara necessidade de classificação, indexação, referências cruzadas, alocação apropriada, etc. Todo um universo de critérios pode ser levantado. Quais vocês, arquivistas, adotariam?

Referências:
Como Tratar coleções de fotografias - Patrícia de Filippi, Solange Ferraz de Lima e Vânia Carneiro de Carvalho (2002);

A teoria dos arquivos e a gestão de documentos - Ana Márcia Lutterbach Rodrigues (2006)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

de onde viemos, para onde vamos e outras questões existenciais


Fruto da disclina disciplina Diplomática e Tipologia Documental, ministrada pelo professor André Porto Ancona Lopez, este blog foi idealizado a fim de discutir questões referentes à estrutura formal do documento fotográfico, bem como sua tipologia.

Para facilitar o entendimento dos leitores, elaboramos um glossário com termos básicos que eventualmente serão utilizados. Ei-lo:

arquivista: profissional de nível superior, com formação em arquivologia ou experiência reconhecida pelo Estado com a função de organizar, reunir, preservar, controlar e fornecer acesso a informação orgânica e registrada;

arquivo: conjunto de documentos produzidos e acumulados por uma entidade coletiva, pública ou privada, pessoa ou família, no desempenho de suas atividades, independentemente da natureza do suporte;

arquivologia: disciplina que estuda as funções do arquivo e os princípios e técnicas a serem observados na produção, organização, guarda, preservação e utilização dos arquivos. Também chamada arquivística;

diplomática: disciplina que tem como objeto o estudo da estrutura formal e da autenticidade dos documentos;

documento: unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte ou formato;

documento digital: documento codificado em dígitos binários, acessível por meio de sistema computacional;

filme: película ou fita de plástico flexível capaz de fixar imagens em positivo ou negativo;

fotografia: imagem produzida pela ação da luz sobre película coberta por emulsão fotossensível, revelada e fixada por meio de reagentes químicos;

negativo: imagem fotográfica formada quando se impressiona diretamente uma chapa ou um filme, em que os tons claros e escuros do objeto aparecem invertidos;

tipologia: divisão de espécie documental que reúne documentos por suas características comuns no que diz respeito à fórmula diplomática, natureza de conteúdo ou técnica do registro.

Referências:
Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística